Decorreu esta manhã, na Sala da Assembleia Municipal, a assinatura do protocolo entre a Câmara Municipal de Loulé e o Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, com vista à criação do Banco Local de Voluntariado de Loulé.
A Autarquia adere, desta forma, à nobre causa do voluntariado enquanto veículo de interesse social e comunitário, de promoção da cidadania e humanização, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar das populações. Esta estrutura irá consolidar mecanismos de cariz local, próximos das populações e conhecedores das realidades locais, que facilitem o encontro entre entidades e voluntários.
Localizado junto ao Terminal Rodoviário, Rua Nossa Senhora de Fátima, onde funcionam os serviços de Acção Social, Saúde e Família da Câmara de Loulé, pretende-se que este Banco Local de Voluntariado seja um espaço de encontro entre pessoas que expressam a sua disponibilidade e vontade para serem voluntárias e entidades promotoras de voluntariado que reúnam condições para integrá-los.
A área de acção do voluntariado poderá ser desenvolvida em todos os domínios da actividade humana como sejam os domínios cívico, da acção social, da saúde, da educação, da ciência e da cultura, da defesa do património e do ambiente, da defesa do consumidor, da cooperação para o desenvolvimento, do emprego e da formação profissional, da reinserção profissional, da protecção civil, do desenvolvimento da vida associativa e da economia social, da solidariedade social, entre outros.
No caso de Loulé, pretende-se que esta estrutura possa, por exemplo, através da colocação de voluntários nas áreas de maior carência identificadas pelas instituições particulares de solidariedade social do Concelho, auxiliá-las a colmatar as principais necessidades e a ultrapassar alguns obstáculos com que se deparam no seu quotidiano.
Refira-se que, de um modo geral, os objectivos dos Bancos Locais de Voluntariado, estruturas locais de âmbito concelhio, passam por: sensibilizar os cidadãos para o voluntariado, divulgando projectos e oportunidades de voluntariado; acolher as candidaturas das pessoas interessadas na actividade voluntária, procedendo à respectiva selecção mediante entrevista; acolher a inscrição das entidades promotoras de voluntariado; proceder à aferição do perfil do candidato a voluntário; encaminhar os voluntários de acordo com as características da actividade a desenvolver; diligenciar no sentido de garantir que as entidades promotoras cumpram as obrigações legais decorrentes da actividade desenvolvida; recolher informação que permita produzir diagnósticos de caracterização local da actividade de voluntariado; aferir, regularmente, com as entidades promotoras o grau de satisfação das partes no desenvolvimento da actividade; remeter ao Conselho Nacional, anualmente, o relatório das actividades desenvolvidas e estatísticas sobre voluntariado – na sua área de intervenção – e facultar, semestralmente, informação sobre os constrangimentos decorrentes do funcionamento do Banco.
No âmbito deste protocolo, à Autarquia louletana cabe não só a disponibilização do espaço, mas também a afectação de recursos humanos, assegurar um horário de funcionamento para atendimento ao público em geral, voluntários e entidades promotoras, e também divulgação deste Banco de Voluntariado.
Quanto ao Conselho Nacional, compromete-se a prestar o necessário apoio técnico, disponibilizar as ferramentas de trabalho indispensáveis ao funcionamento do Banco, e a colaborar na organização de sessões de sensibilização das comunidades para a prática do voluntariado, formação dos voluntários, dos técnicos ou coordenadores das organizações promotoras que os enquadram.
Loulé, concelho solidário
Após uma explicação por parte de Elisa Borges, coordenadora do núcleo técnico de apoio aos Bancos Locais de Voluntariado, sobre estas estruturas e a importância do voluntariado, o presidente da Câmara de Loulé referiu-se à celebração deste protocolo como “um momento oportuno” já que estamos a atravessar “um momento de crise profunda, económica e financeira, mas sobretudo de crise moral, de valores, de ética, e de tudo aquilo que é fundamental numa sociedade que se quer cada vez mais humanizada e mais solidária”.
O autarca frisou o conceito alargado que o voluntariado tem nos dias de hoje, “já que não se cinge exclusivamente à área social, pois há cada vez mais a intervenção do voluntariado na nossa vida quotidiana”.
Referindo a importância do voluntariado na resolução dos problemas das comunidades, Seruca Emídio salientou o facto de Loulé ter uma forte tradição nesta área. “Loulé sempre foi uma terra solidária, referenciada em termos nacionais, mas sobretudo regionais, como um exemplo a seguir. Há muitos anos os louletanos eram bairristas, em Loulé vivia-se o espírito de solidariedade de uma forma diferente das outras terras, os louletanos disponibilizavam-se a trabalhar em prol da comunidade de uma forma gratuita, voluntária, com entrega”, disse, dando como exemplo a fundação da Casa da Primeira Infância, ou o papel benemérito da Santa Casa da Misericórdia. Tal como acontece nos dias de hoje, em que “a rede de instituições particulares de solidariedade social cobre praticamente todo o concelho, um concelho com grandes assimetrias mas que, felizmente, é cada vez mais solidário e cada vez mais humanizado”.
O edil aproveitou ainda esta oportunidade para referir a forte comunidade estrangeira residente no Concelho que poderá ter um papel determinante em termos de voluntariado. “Muitos estrangeiros vêm oferecer os seus conhecimentos e disponibilidade para trabalhar pela comunidade. Este Banco terá esse papel abrangente, dinamizador e coordenador da mais-valia humana que temos neste grande concelho. E até poderá servir de integração na comunidade. Temos matéria-prima, temos condições, a Câmara cá está como o grande suporte de todas estas iniciativas, e vamos tentar assumir uma estratégia e objectivos para nos sentirmos melhor no trabalho que estamos a desempenhar”, explicou.
O presidente da Autarquia terminou a sua intervenção com uma quadra do poeta António Aleixo, figura de destaque da cultura louletana, e que expressa bem o significado do voluntariado: “O mundo só será melhor do que até aqui, se fizeres melhor aos outros do que farás por ti”.
Já a presidente do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, Elza Chambel, reforço a ideia de que o voluntariado é, acima de tudo, “um compromisso de cada voluntário para consigo mesmo e para com a organização com que quer trabalhar”.
“Homens e mulheres, jovens e menos jovens, o voluntariado pode ser feito por todos, em qualquer área, já que o voluntariado é um recurso humano que pode adaptar-se de acordo com as competências de cada um e, simultaneamente, com as suas apetências”, disse esta responsável, que salientou ainda “o valor económico muito grande” do voluntariado.
“Para evidenciar o valor do voluntariado”, em 2011 será assinalado o Ano Europeu do Voluntariado, explicou Elza Chambel. Nesse sentido, o Conselho Nacional integra uma rede europeia que está já a trabalhar para as actividades previstas.
Refira-se que, actualmente, no país, existem 86 Bancos Locais de Voluntariado, estando em fase de implementação 28. No caso do Algarve, para além de Tavira, está a ser implementado este em Loulé e um outro em Vila Real de Santo António.